A era da assitência.

Montar um currículo minimamente atraente já é motivo de tremedeira tendo acabado de sair da faculdade, e normalmente, um tanto sem rumo em um mercado que oferece a cada dia uma o nova opção. Portfólio, então, para criativas e criativos em geral, nem se fala. Uso o termo “criativas” porque é cada vez mais complicado e limitante se denominar Diretora de Arte, Redatora, Social Media ou qualquer coisa do gênero, já que são funções cada vez mais híbridas. Voltando ao centro do tema: quase rola um surto ao selecionar, organizar, e até melhorar um trabalho perdido no HD, daquele último estágio, antes de colocar no ar pra todo mundo (literalmente) ver.

Felizmente — acredite, trago aqui mais uma novidade; mais um rumo pra você se perder: a Inteligência Artificial já está dando passos largos rumo à manipulação de imagens realistas. Sim, você leu direitinho. Recentemente o NY Times fez uma matéria sobre essa novidade, com direito a teste, pra saber quem é capaz de identificar se uma imagem foi criada por uma máquina ou se é real, assim como seu processo, em que é possível ver uma evolução absurda em 18 dias, realizado por pesquisadores da Nvidia.

Denominado “Generative Adversarial Networks” (GANs), o processo começa com um sistema de Machine Learning capaz de analisar milhares de imagens reais de celebridades, reconhecer padrões em comum e criar a partir delas outras muito parecidas, mas ligeiramente diferentes, que progridem gradualmente para resoluções mais altas com base em dados. O resultado é embasbacador: imagens de 1024x1024 pixels, nítidas, detalhadas e, em muitos casos, altamente convincentes.

Profissionais de criação com funcionalidades que, embora também sejam criativas, como diagramação e programação (de posts, e-mail marketings ou sites), ainda investem muito tempo em questões mecânicas que felizmente, juro, poderiam ser poupados.

Quando digo que ter uma Inteligência Artificial, capaz de aprender, ocupando parte considerável do seu cargo é uma novidade feliz nessa organização de carreira, penso no tempo de sobra que teremos em breve para o que realmente importa, no fim das contas. Não me arrisco a dizer que a criatividade é uma delas por crer também que ela possa ser aprendida pela máquina, mas pelo mesmo motivo, toda nova possibilidade abre mais possibilidades. Um exemplo claro disso, que chegou até mim por meio de uma aula da pós-graduação, foi a Starbucks, que já declarou não vender café, mas tecnologia, usando-o apenas como meio. A proposta fica clara nesse case e nos faz pensar em toda essa combinação de fatores, que traz cada vez mais nosso propósito profissional uma camada à frente, pra pensarmos além do CV ou portifa, deixando a pulga mais urgente e clichê possível atrás de nossas orelhas: qual é, verdadeiramente, o meu propósito?

O lado positivo de estar no meio desse caos é a oportunidade de crescer liderando novos modelos e processos da gestão criativa na sua melhor forma: lidando com a comunicação de forma integrada e desprendida das metodologias limitadoras tradicionais. Afinal,
o mundo está mesmo mudando, mas alguém precisa fazer ele girar.

Yáskara Camila

Publicitária formada pela ESPM Rio, cuiabana da gema se procurando em Sampa e pós-graduanda em Design, Inovação e Estratégia na ESPM SP.