Batatas emoticons e o caixão vazio da publicidade.

15/01/2018



André Kassu, sócio e diretor de criação da CP + B, falava entusiasmado sobre a recente ação da sua agência para a McCain Brasil: se envolveram tanto nos processos e objetivos de marketing do cliente que surgiram com uma solução diferenciada, uma solução-produto: as batatas emoticons.

Entre muitos aplausos, surge certo espanto. Não há dúvidas de que foi um excelente trabalho, afinal o videocase estava ali para comprovar. O que causa estranhamento, é a forma como tal criação foi considerada disruptiva e inovadora pelos próprios profissionais da economia criativa. Este setor, que está acostumado a produzir dentro de um modus operantis, precisa constantemente se libertar dessas amarras, pois sua promessa de venda é a solução de problemas e esta solução não deve ser limitada a meios e formas.

André Kassu. Reprodução: Coletiva 21

Novos gestores da criatividade como negócio precisam então assumir essa visão mais abrangente sobre a entrega de seus produtos. O Uber, como estrutura de negócio e processo, poderia ter sido uma solução estratégica de uma agência de publicidade ou consultoria para uma cooperativa de taxi, assim como o WhatsApp poderia ser resultado de criação para uma operadora de telefonia tradicional.

Por fim, em tempos de crise econômica, a gestão da economia criativa e seu fortalecimento apresentam-se como alternativa para o país e um inesperado anti-herói, o novo criativo, deve atribuir-se a posição de solucionador de problemas, gerando não só novos produtos (como as batatas fritas emoticons do Kassu), como também novos processos, modelos de negócios e até novas marcas.

Alguém realmente achou que a publicidade morreria?

Gabriel Lima

Publicitário, sócio fundador da Agência Pivot, formado pela ESPM e mestrando em Gestão da Economia Criativa pela mesma instituição.